domingo, 30 de agosto de 2009

Ó Ideal,

que estás no meu céu interior,
verdade viva
que faz minha alma
imortal,
para que tua tendência
evolutiva
seja realizada,
para que teu nome
se afirme pelo trabalho,
para que tua revelação
seja manifestada a cada
espetáculo,
a cada espetáculo concede-me
a idéia criadora,
que assim como ela está
entendida no meu coração
seja entendida no meu corpo.
Ó Ideal,
preserva-me dos reflexos
da matéria,
que eu compreenda
que o sofrimento benfeitor
está na origem da minha
encarnação.
Livra-me do desespero
e que teu nome seja
santificado
pela minha coragem
na prova.
Ó Ideal,
faze com que eu
não diferencie
o fracasso do sucesso.
E perdoa a minha
dificuldade de comunicação,
assim como eu perdôo
os que não tem ouvidos
de ouvir
nem olhos de ver.
Ó Ideal,
destrói meu orgulho,
que poderia afastar-me
da tua luz-guia,
nutre meu devotamento,
porque és,
Ó Ideal,
a realeza, o equilíbrio, a força
da minha intuição


Plinio Marcos

O Fundão




Em boa parte de minha infância o meu “quintal” foi a praia, esta presente em mim o fascínio pelo mar, mas não era só o mar era o conjunto: o vento, o aroma, a areia, o sol, o colorido, o encontro das águas; são tantos os elementos entretanto todos se fundem no mar.

Ao chegar a praia e prestes a começar a corrida em sua direção, era inevitável ouvir a expressão: “não vai no fundão”, eu não escutava. Fundão? porque não fundo, porque não dizer: fique no rasinho? creio que era para atemorizar, “não vá no Fundão” pode parecer mais apavorante e talvez (pensava eu) era essa a idéia, quem sabe no susto ou no provocar o medo, o efeito seria o de coibir qualquer tipo de iniciativa. Esta frase parece que passava por mim, e se algo dela ficasse aderente, tinha como resultado justamente o contrario, eu queria sentir o fundão, parece que lá encontrava “a contradição pesado/leve como a mais misteriosa e mais ambígua de todas as contradições”, sentia o flutuar, o limite, a força do instinto de se alto preservar e perceber que um pouquinho mais e me veria em sérios apuros. Não demorava. Era o tempo suficiente para que o meu espírito se inundasse com o momento, guardo-os até hoje.



Eu e minha prancha, de madeira surrada de tanto retornar do Fundão ao rasinho, onde ficava em paz, largado, deixando as ondas decidirem a melhor posição, só eu e o mar, das ondas grandes às suaves, da calma, que cantam ao chegar na areia, e mal chegam retornam se encontrando com as que vem, quanta espuma, quantas bolinhas, o tempo parava, era eu e o mar, o Fundão agora era passado, ele ajudou o coração a bater mais forte para que pudesse contemplar a paz das ondinhas que chegavam na areia, e lá ficava porque este é lugar que elegi. Como eu gostava (e gosto) do Fundão!


by José Rubens Salles Toledo